ia – Semana de Arte Contemporânea
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semana de arte contemporânea de ouro preto

Semana de Arte Contemporânea de Ouro Preto - Arte como função

Pensando na arte como ferramenta na transitoriedade entre o moderno e o contemporâneo, o ia - Instituto de Arte Contemporânea de Ouro Preto tem como missão viabilizar o desenvolvimento das comunidades, fomentando as expressões artísticas endêmicas e, questionando-as com a transfiguração do lugar comum através da realização de pesquisas, exposições, instalações e demais tendências artísticas.

Depois de 100 anos do mito da Semana de Arte Moderna, o exercício se manifesta de forma contrária, o poder da cartelização não está mais na Europa, mas está na revisitação da nossa própria história. É necessário desconstruirmos esse mito e a melhor homenagem que podemos fazer aos mestres de 22 é contestá-los hoje, na delícia do agora. Não para que a arte brasileira volte ao passado, não, mas para que ela possibilite um futuro. Tal transição não seria possível em outro local: Ouro Preto e Mariana. E o início dela se dá na Semana de Arte Contemporânea de Ouro Preto, que chega para trazer uma nova gestação à cidade, promover uma vivência multidimensional, que nos permita descobrir a potência da diversidade. Um espaço de troca, de mediação.


Semana de Arte Contemporânea de Ouro Preto - Arte como função

Pensando na arte como ferramenta na transitoriedade entre o moderno e o contemporâneo, o ia - Instituto de Arte Contemporânea de Ouro Preto - tem como missão viabilizar o desenvolvimento das comunidades, fomentando as expressões artísticas endêmicas e, questionando-as com a transfiguração do lugar comum através da realização de pesquisas, eventos, exposições, instalações, shows e demais tendências artísticas.

Parafraseando um dos sentidos do “contemporâneo”, ele é e será sempre o hoje, o agora. O que viria, assim, depois do modernismo? Neo-modernismo? Pós-modernidade? Vanguarda? Não importa a palavra que os historiadores, curadores, artistas e pesquisadores utilizam, essa coisa anódina, pois o que importa é, finalmente, alcançarmos a transição concreta entre esses dois tempos, ao mesmo tempo distinto, ao mesmo tempo complementares entre si.

O ia trará através dessas expressões artísticas o descongelamento da cidade histórica para a abertura de um processo descolonizador através da arte, cruzando o local com o restante do Brasil. Fomentar a transição entre o moderno e o contemporâneo através de um processo cartográfico, os mapeamentos etnográficos do entorno das cidades com enraizamento histórico, para que assim possamos fazer parte de um todo. Um todo brasileiro. Quem sabe assim, a partir desse aval, de nós para nós mesmos, os que estão acostumados a pensar de fora para dentro consigam pensar de dentro para fora?

Com assimilações indiretas, nesta primeira etapa, é preciso alcançar um senso de globalidade sem, contudo, cair nas armadilhas nocivas da globalização. É preciso levantar essa polêmica. Não se trata necessariamente de um atributo estético mas, sim, de colocar em voga, como alertava Zé Celso Martinez Correa: “a globalização engoliu nossa antropofagia.” É preciso repensar, recriar, buscar o novo que existe e mora, latente, no antigo. É saber lidar com paradoxos e, diante do transitório, criar o inominável, o que sempre está por vir.

A desafiante saída diante das aporias atuais está no dialogismo, na polifonia crítica e criativa, carnavalizadora e restauradora desta brasilidade por ela própria, brasilidade que descarta o niilismo e, em última instância, a morte. Por isto, é necessário diagnosticar este local, onde tudo começou. A arte como função descolonizadora.

São três aspectos de uma complexa questão que envolve a arte: ter uma função, ser uma função e não ter função alguma. Eis um dilema dos mais luminosos. Os sistemas sociais, físicos, políticos, naturais se organizam em equações nas quais elementos não apenas estão em relação, mas são funções uns dos outros. A função é um campo de força. O sonho da descolonização através da arte não apenas tem uma função, mas é uma função imprescindível ao sistema orgânico, social e histórico.

Depois de 100 anos do mito da Semana de Arte Moderna, o exercício se manifesta de forma contrária, o poder da cartelização não está mais na Europa, mas está na revisitação da nossa própria história. Portanto, é necessário desconstruirmos esse mito e a melhor homenagem que podemos fazer aos mestres de 22 é contestá-los hoje, na delícia do agora. Não para que a arte brasileira volte ao passado, não, mas para que ela possibilite um futuro. O futuro. Tal transição não seria possível em outro local: Ouro Preto e Mariana. E, claro, ela não será feita em apenas 10 dias, mas o início dela se dá na Semana de Arte Contemporânea de Ouro Preto.

O ia - Instituto de Arte Contemporânea de Ouro Preto chega para trazer esta nova gestação à cidade, promover uma vivência multidimensional, que nos permita descobrir a potência da diversidade. Um espaço de troca, de mediação. Agir com a consciência de que fazemos parte de um todo e nada nos pertence. Fazemos parte do conjunto, e isso muda tudo. Esse novo olhar nos vincula ao social que nos originou impulsionando nosso reconhecimento pela existência do outro e estabelece um inter-relacionamento real. A revitalização artística transforma o não-lugar, restabelece sua existência, transformando-o, de fato, em lugar.

Se essa não é a função da arte de nosso tempo, qual seria, então?